O Grupo de Trabalho para a Transparência e Verdade na Recuperação e Reutilização de Ativos Recuperados apresentou um relatório de seis meses de monitoramento de algumas obras em andamento no país, onde foram destacados quatro projetos, três na província de Luanda e um em Benguela.

Na sequência, diversas organizações não-governamentais (ONGs) angolanas denunciaram irregularidades na construção de infraestruturas realizadas no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), que utiliza dinheiro recuperado de processos de recuperação de ativos

No projeto em Benguela, uma delegacia de polícia orçada em 33 milhões de kwanzas e com prazo de três meses, a obra ainda não foi concluída, apesar de execução financeira acima de 60%. Os ativistas constataram que nem o empreiteiro nem o fiscal têm escritório no município do Lobito, e não havia informações sobre o processo licitatório público. Concluíram que o valor é muito elevado para o tipo de obra e que muitas empresas foram criadas apenas para participar desses processos, sem experiência prévia em construção.

Em Luanda, foram apresentadas situações similares em três obras: a construção de uma escola pública de 12 salas de aula, orçada em quase 270 milhões de kwanzas, que foi embargada por litígio com um banco reclamando a posse do terreno; a intervenção em 4,2 km de estrada na 7ª Avenida; e a construção de uma escola em Icolo e Bengo. As organizações afirmam haver pouca transparência na execução financeira do PIIM, com verbas destinadas a obras que nunca são concluídas.

Este relatório aponta para indícios de corrupção, falta de transparência nos processos de contratação e execução das obras, presença de empresas sem histórico na área, além de obras paralisadas ou abandonadas, mesmo com os recursos alocados. Estas denúncias vêm levantar preocupações sobre a transparência nos projetos do PIIM.