Autor: Públio Cornélio
Estava no Domingo passado num almoço angolano em Lisboa. Daqueles em que participam altos quadros do governo, que aproveitam as visitas a Portugal para desabafar. Há muitos assim, mais do que se julga.
O tema da conversa foi 2027.
Todo o mundo aguarda com expectativa que João Lourenço indique o candidato presidencial do MPLA para essas eleições. Ainda acham que aquele que Lourenço indicar será o vencedor. O que é duvidoso face aos acontecimentos de Moçambique, primeiro a revolta do próprio comité central da Frelimo, depois a própria revolta popular, uma tragédia evitável, mas que demonstrou o profundo sentido do povo.
As pulsões que se viveram em Moçambique não são diferentes das que se podem viver em Angola, apesar de em Luanda, o Estado ser mais forte e organizado, as Forças Armadas serem incomparáveis, não falando nos serviços de segurança. Contudo, apesar disso tudo-e duma melhor governação- as pulsões exactamente iguais às de Moçambique existem em Angola, pelo que não é uma causa-efeito que o candidato designado por João Lourenço seja o Presidente da República. Desde logo, o MPLA pode não o apoiar.
Mas, voltando às indicações de João Lourenço, o que essas figuras se queixaram é que Lourenço está a indicar vários ao mesmo tempo…estimulando uma espécie de primárias internas, informalmente.
Uns dizem que o escolhido é Carlos Feijó, que já sabe disso, e adoptou um perfil baixo, fazendo apenas relações públicas e apresentando-se como grande académico. Outros dizem que Lourenço já indicou Adão de Almeida, que aposta no perfil de tecnocrata do digital. O homem que vai levar a Administração Pública de Angola para o século XXII (22), fazê-la dar um salto de 200 anos, uma vez que ainda não saiu do período colonial em termos de estruturação. Mas outros dizem que também já indicou Manuel Homem, o rosto sorridente duma linha securitária.
Estranhamente, não falam de Maria Quiosa, mas pode ser puro machismo puro. Segundo estas figuras destacadas, a corrida está entre Feijó, Almeida e Homem. Será assim? Não sabemos, mas sabemos que a política interna parece estar à deriva e a resumir-se a estas conspirações prandiais.
Francamente, este não é o tempo destas continuidades, mas duma forte ruptura no MPLA. Só essa ruptura trará a vitória e evitará Moçambiques que muitos alimentam.