O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) em Angola registou em 2024 o valor mais alto dos últimos oito anos, atingindo os 9.656,6 milhões USD, um aumento de 11% face aos 8.678,5 milhões USD registados em 2023. Este crescimento confirma o quarto ano consecutivo de aumento do IDE no sector petrolífero, consolidando a posição deste sector como o principal destino dos investimentos estrangeiros em Angola.

Apesar deste crescimento, os níveis de investimento continuam distantes dos valores registados em 2014 e 2015, quando o IDE no petróleo atingiu os 16.387,9 milhões USD e 15.829,5 milhões USD, respectivamente. Os dados do Banco Nacional de Angola (BNA) mostram que o sector petrolífero continua a ser o motor do IDE no país, absorvendo 96,5% do total investido em 2024, enquanto apenas 3,5% foi destinado a sectores não petrolíferos, como a agro-pecuária, as pescas ou os transportes.

O forte domínio do petróleo no IDE revela a persistente dependência da economia angolana do sector energético, apesar dos tão propalados esforços para diversificação. Em 2024, o investimento estrangeiro no sector não petrolífero foi de 353,5 milhões USD, o valor mais alto desde 2019, mas ainda muito modesto face ao capital investido na indústria petrolífera. A baixa atratividade dos sectores não petrolíferos está ligada às dificuldades estruturais da economia, nomeadamente a elevada inflação, um ambiente de negócios pouco competitivo e lacunas significativas ao nível do capital humano.

O contraste entre o investimento estrangeiro e o investimento angolano no exterior também é evidente. Em 2024, os angolanos investiram apenas 33,1 milhões USD no estrangeiro, o valor mais baixo desde 2018. Por outro lado, o stock de investimento estrangeiro em Angola atingiu 12.000,6 milhões USD, enquanto o stock de investimento de angolanos fora do país foi de apenas 5.325,4 milhões USD.

Estes números evidenciam que, apesar do crescimento do IDE, o país continua fortemente dependente do petróleo, com os sectores não petrolíferos ainda longe de se tornarem verdadeiros motores de crescimento económico.