A polícia prendeu o antigo primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, na cidade de Lahore, no leste do país, depois de um tribunal o ter condenado a três anos de prisão devido à ocultação de bens recebidos quando governava o Paquistão.

O jogador de críquete de 70 anos que se tornou político, foi acusado de usar indevidamente o seu cargo de primeiro-ministro de 2018 a 2022 para comprar e vender presentes na posse do Estado, recebidos durante visitas ao estrangeiro, no valor 497 500 dólares.

“A sua desonestidade foi estabelecida sem margem para dúvidas”, escreveu o juiz Humayun Dilawar na decisão. “Foi considerado culpado de práticas corruptas ao esconder os benefícios que obteve do erário público nacional de forma deliberada e intencional”.

O advogado de Khan, Intezar Panjotha, afirmou que a polícia deteve Khan na sua residência em Lahore. “Estamos a apresentar uma petição contra a decisão no tribunal superior”, acrescentou Panjotha.

Imran Khan apelou na rede social twitter aos seus apoiantes para que saíssem à rua em protesto.

“Só tenho um pedido, um apelo a fazer-vos. Não devem ficar quietos dentro das vossas casas. A luta que estou a fazer não é por mim, é pela minha nação, por vocês. Pelo futuro dos vossos filhos”, disse.

No post, Khan fez referência ao “Plano de Londres”, um termo que ele usa para se referir a uma suposta conspiração entre o atual chefe do exército, general Asim Munir, e o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, que está em Londres desde 2019 em auto-exílio, para expulsá-lo da política. Ele ainda não apresentou provas da sua existência.

É a segunda vez que o popular líder da oposição é detido este ano.

No passado mês de Maio, a sua prisão e detenção durante vários dias por causa de um outro caso provocou uma intensa agitação política. Registaram-se confrontos mortais entre apoiantes e polícia e várias instalações militares foram alvo de ataques.

Milhares dos manifestantes que reagiram à anterior detenção de Khan, a 9 de maio, enfrentam acusações graves, estando alguns deles atualmente a ser julgados em tribunais militares.

O partido de Kahn, Pakistan Tehreek-i-Insaf (Movimento Paquistanês pela Justiça) que é a maior força política do Paquistão, apelou para protestos pacíficos em todo o país contra a sentença de prisão proferida pelo Tribunal. O secretário-geral do partido, Umar Ayub, apelou a toda a nação para um protesto pacífico contra o veredicto.

Khan não esteve presente no tribunal durante a audiência. A lei paquistanesa não prevê a possibilidade de realizar julgamentos à revelia, como foi acusado. Por conseguinte, segundo Babar Awan, que faz parte da equipa de advogados de Khan, há “todas as probabilidades de suspensão do veredito e de libertação antecipada de Imran Khan” na sequência do recurso apresentado ao tribunal superior.

Foram instaurados mais de 150 processos contra o antigo primeiro-ministro desde que este perdeu uma votação de desconfiança e foi destituído do cargo em Abril do ano passado.

Khan negou qualquer irregularidade, afirmando que as acusações têm motivações políticas. Uma condenação neste processo poderia pôr termo às suas hipóteses de participar nas eleições nacionais que têm de ser realizadas antes do início de Novembro.

Khan tem afirmado repetidamente que o exército tem como alvo ele e o seu partido, numa tentativa de o manter fora das eleições e de o impedir de regressar ao poder. O exército negou a alegação.

Uma coisa é certa. Os militares não parecem querer permitir que Imran Khan volte ao poder, pelo menos nas próximas eleições.