África, o continente mais jovem e vibrante do planeta, vive uma contradição marcante. Por um lado, testemunha avanços sociais e culturais inegáveis: a esperança média de vida cresceu de 41 para 64 anos desde 1960, a mortalidade infantil caiu drasticamente e o acesso ao ensino superior multiplicou-se por nove desde 1970. Por outro, a economia não acompanhou esse progresso, ampliando o fosso entre o continente e o resto do mundo.
Enquanto as economias asiáticas, que em 1960 estavam ao mesmo nível de África, experimentaram um crescimento vertiginoso, a África subsariana permaneceu estagnada. Atualmente, os rendimentos médios da Ásia Oriental são sete vezes superiores aos do continente africano. Em termos de PIB per capita ajustado ao poder de compra, África representa hoje apenas um quarto da média mundial, em contraste com metade há seis décadas.
O início do século XXI trouxe esperança. O crescimento económico foi impulsionado pela globalização, pelo perdão da dívida e pelo aumento da procura de matérias-primas, especialmente por parte da China. No entanto, esse ‘surto’ foi breve. Desde 2014, o rendimento por pessoa na África subsariana manteve-se praticamente estagnado. A última década foi apelidada pelo Banco Mundial de “uma década de futilidade económica”.
As causas do atraso económico são múltiplas. Metade dos países africanos enfrenta desequilíbrios macroeconómicos significativos, como inflação elevada e elevados custos de dívida. Além disso, a região é extremamente vulnerável às alterações climáticas, o que desvia recursos públicos para responder a secas e inundações recorrentes. O acesso ao financiamento também se tornou mais limitado, com uma diminuição no investimento estrangeiro direto e nos empréstimos internacionais.
A falta de transformação económica afeta particularmente a juventude africana. Apesar de constituírem a maior força de trabalho futura, muitos jovens não encontram oportunidades suficientes no mercado. Isso alimenta a frustração, potenciando instabilidade social e conflitos.
Para que África recupere o seu potencial, é essencial um aumento significativo do investimento, uma governação mais eficaz e a criação de sectores privados dinâmicos. No entanto, o progresso depende da vontade política e de líderes inspirados que priorizem o desenvolvimento inclusivo em detrimento de interesses pessoais.
O tempo é crítico. Sem uma mudança de paradigma, África corre o risco de perpetuar o seu papel como o continente onde a pobreza extrema continuará a concentrar-se. O futuro de um dos lugares mais jovens do mundo exige mais do que promessas — requer ações concretas e urgentes.