Júlio Bessa, antigo dirigente do MPLA e ex-governador do Cuando-Cubango, lançou duras críticas ao partido no poder, após ser eleito presidente do partido CIDADANIA – Iniciativa de Cidadania para o Desenvolvimento de Angola. Bessa afirmou que os cidadãos angolanos estão “cansados das promessas do Partido-Estado” e que o MPLA já não é visto como uma solução para os problemas do país.

As declarações de Bessa refletem um profundo descontentamento com o estado atual da governação. O novo líder do CIDADANIA destacou o impacto devastador da falta de oportunidades, o elevado custo de vida e a ausência de soluções concretas para os desafios enfrentados pela população. “Os cidadãos estão a agonizar, gerações inteiras veem o seu sonho desfeito e vivem na incerteza do futuro”, afirmou Bessa, criticando a incapacidade do MPLA em garantir uma vida digna aos angolanos após quase 50 anos de independência.

O rápido reconhecimento legal do partido CIDADANIA pelo Tribunal Constitucional, em julho de 2024, gerou suspeitas entre analistas políticos. Ilídio Manuel considera que a legalização célere pode indicar uma manobra para dispersar votos e beneficiar o MPLA nas eleições de 2027. Já para o sociólogo João Lukombo, é ainda cedo para determinar se Bessa será uma verdadeira força de oposição ou se, na hora decisiva, poderá voltar a alinhar-se com o partido que o lançou na política.

Bessa, no entanto, assegura que o CIDADANIA está para ficar e promete uma abordagem diferente nas próximas eleições. “Queremos e sabemos fazer diferente do que foi feito nas últimas cinco décadas”, afirmou o líder, apelando à união e à construção de uma Angola baseada na tolerância, na justiça e no perdão.