Os estudantes angolanos voltaram a denunciar a total inércia e negligência do Governo face à grave crise no sector da educação. Em conferência de imprensa realizada em Luanda, Francisco Teixeira, presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), criticou duramente a postura das autoridades, acusando-as de “surdez” e “má-fé” na resolução dos problemas crónicos que afetam o sistema educativo.
Segundo Teixeira, a situação da educação em Angola é desoladora: mais de nove milhões de crianças estão fora do sistema de ensino, enquanto muitas das que conseguem acesso às escolas enfrentam condições precárias, como a falta de carteiras e manuais escolares. O líder estudantil destacou que o Governo continua a ignorar estas dificuldades, mantendo um silêncio cúmplice e investindo em luxos para os dirigentes, em vez de aplicar os recursos no setor da educação.
“O Estado gastou cinco milhões de dólares em livros escolares no ano passado e este ano voltou a gastar o mesmo valor. No entanto, os livros desapareceram e ninguém sabe explicar para onde foram”, denunciou Teixeira, sublinhando a suspeita de corrupção e desvio de recursos públicos. A ausência de explicações por parte das autoridades reforça a percepção de uma gestão incompetente e descomprometida com o futuro das novas gerações.
O MEA considera que o sistema educativo em Angola continua refém dos interesses políticos, sendo mantido num estado de estagnação para perpetuar o analfabetismo e a dependência da população.
A falta de compromisso e a arrogância das autoridades angolanas, que continuam a exibir carros de luxo enquanto as escolas não têm sequer condições básicas para funcionar, é um reflexo da incompetência e negligência de um Governo que parece ter abandonado o futuro das crianças angolanas.
Os estudantes, como principais afetados, têm razão em exigir respostas e soluções concretas. A pressão por parte dos estudantes pode ser um passo importante para que o Governo tome medidas mais efetivas, mas sem um compromisso real com transparência e a boa gestão, essas reivindicações podem continuar a ser ignoradas.