Os Estados Unidos estão a intensificar os esforços para garantir um acordo estratégico com a República Democrática do Congo (RDC) sobre o acesso a minerais críticos, fundamentais para a produção de veículos elétricos e dispositivos eletrónicos. A nomeação de Massad Boulos (sogro do presidente Donald Trump, casado com sua filha Tiffany) como enviado especial para a região dos Grandes Lagos sinaliza o crescente interesse de Washington na exploração dos vastos recursos naturais da RDC, num momento em que o país africano enfrenta um conflito interno devastador.

A RDC é uma das nações mais ricas em recursos minerais do mundo, com abundantes reservas de cobre, lítio, cobalto e coltan — minerais essenciais para a indústria tecnológica global. No entanto, a instabilidade causada pela ofensiva do grupo rebelde M23, que os EUA e a ONU acreditam ser apoiado pelo Ruanda, tem dificultado a exploração e comercialização desses recursos. A administração de Felix Tshisekedi tem apelado ao apoio dos EUA para travar o conflito e alcançar um acordo que permita uma exploração mineira mais segura e lucrativa.

A Casa Branca vê esta oportunidade como uma forma de reduzir a dependência global da China no fornecimento de minerais estratégicos. Atualmente, a indústria mineira na RDC é dominada por empresas chinesas, o que limita a influência dos EUA na cadeia de abastecimento global. Para contrariar esta situação, a administração Trump está a considerar um pacto que permita aos EUA assegurar direitos de exploração de minerais, em troca de assistência diplomática e sanções contra os rebeldes do M23.

A nomeação de Boulos, um empresário com que teve ligações à Nigéria e à comunidade árabe-americana, é vista como uma jogada estratégica para facilitar as negociações numa região complexa. Se bem-sucedido, o acordo poderá garantir aos EUA uma posição privilegiada na exploração de minerais essenciais, reforçando a segurança energética e tecnológica norte-americana, enquanto fortalece a posição geopolítica de Kinshasa.