Depois das várias démarches em prol da paz, do Presidente da República de Angola, João Lourenço, não terem dado frutos, os presidentes do Congo e do Ruanda reuniram-se no Qatar para as suas primeiras conversações diretas desde que os rebeldes do M23 (apoiados pelo Ruanda) ocuparam no início do ano, duas grandes cidades no leste do Congo.
A reunião entre o Presidente do Congo, Felix Tshisekedi, e o Presidente do Ruanda, Paul Kagame, para discutir a insurreição, foi mediada pelo Qatar, disseram os três governos numa declaração.
O Congo e o Ruanda reafirmaram o seu compromisso com um cessar-fogo imediato e incondicional, mas a declaração conjunta não forneceu quaisquer pormenores sobre a forma como esse cessar-fogo seria implementado ou monitorizado.
A cimeira foi realizada após o fracasso de uma tentativa anterior de reunir o governo do Congo e os líderes do M23 para negociações de cessar-fogo. Os rebeldes retiraram-se na segunda-feira, depois de a União Europeia ter anunciado sanções contra os líderes rebeldes.
O Qatar foi palco de conversações de paz entre os Talibãs do Afeganistão e os Estados Unidos, entre o Chade e as forças rebeldes e sobre a atual guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza.
As conversações de paz entre o Congo e o Ruanda foram inesperadamente canceladas em dezembro, depois do Ruanda ter condicionado a assinatura de um acordo de paz a um diálogo direto entre o Congo e os rebeldes do M23, que o Congo recusou na altura.
O conflito no leste do Congo agravou-se em janeiro, quando os rebeldes apoiados pelo Ruanda avançaram e tomaram a cidade estratégica de Goma, seguindo-se Bukavu em fevereiro.
O M23 é um dos cerca de 100 grupos armados que têm estado a lutar por uma posição no leste do Congo, rico em minerais e próximo da fronteira com o Ruanda, num conflito que criou uma das crises humanitárias mais significativas do mundo. Mais de 7 milhões de pessoas foram deslocadas.
De acordo com especialistas da ONU, os rebeldes são apoiados por cerca de 4.000 soldados do vizinho Ruanda. No mês passado, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU criou uma comissão para investigar as atrocidades, incluindo alegações de violações e assassínios semelhantes a “execuções sumárias” por ambas as partes.