A captação de financiamento externo em Angola tem-se revelado cada vez mais complexa num cenário global de juros elevados, o que contrasta com a redução da pressão do serviço da dívida interna. De acordo com o Plano Anual de Endividamento 2025, embora o custo global do serviço da dívida venha em declínio, a componente relativa à dívida externa regista um aumento significativo, com juros e amortizações a crescer cerca de 1.400 milhões USD.
Nos últimos anos, o país foi forçado a retomar os pagamentos das moratórias concedidas durante a pandemia da Covid-19, tendo o serviço da dívida atingido patamares elevados que ultrapassaram os 17 mil milhões USD anuais. Esta retomada provocou um stress considerável nos cofres públicos, especialmente num contexto em que os financiamentos externos se têm tornado cada vez mais dispendiosos. O facto de o financiamento nos mercados internacionais ser dificultado pelas taxas de juro elevadas, que tornam insustentáveis os empréstimos, tem levado o Governo a recorrer a outras estratégias para garantir liquidez, nomeadamente através do Banco Nacional de Angola.
Apesar da redução no stock da dívida externa – passando de 48,3 mil milhões USD em 2022 para 43,3 mil milhões USD em 2024 – o ambiente de financiamento externo permanece desafiante. Especificamente, a dívida junto dos credores chineses, que tem vindo a ser objeto de pagamentos regulares, continua a pressionar a liquidez do país. O diretor da Unidade de Gestão de Dívida, Dorivaldo Teixeira, chegou a afirmar que, se o atual ritmo de pagamentos for mantido, há hipótese de a dívida junto dos bancos chineses ser saneada por volta de 2028.
Para 2025, o país prevê captar nos mercados externos um montante de cerca de 7,5 mil milhões USD, o que evidencia a necessidade de reforçar a confiança dos investidores internacionais. Contudo, com as condições de mercado marcadas por taxas de juro em ascensão, a angústia é generalizada entre os responsáveis pelas finanças públicas. Assim, Angola terá de adotar medidas estratégicas que, num equilíbrio delicado entre a manutenção da liquidez e a atração de financiamentos externos, se revelem eficazes para garantir a sustentabilidade financeira do país a médio prazo.