Os preços dos produtos alimentares mais consumidos pelas famílias angolanas registaram um aumento significativo em março deste ano, com os mercados formais a apresentarem uma subida de 27% em relação ao período homólogo de 2024. Nos mercados informais, a subida foi mais moderada, fixando-se nos 5%.
A diferença no crescimento dos preços entre os mercados formais e informais deve-se, em grande parte, à dependência dos supermercados de produtos importados. A escassez de divisas e as dificuldades na importação têm levado a um repasse significativo dos custos aos consumidores. Entre os produtos que mais encareceram nos hipermercados destacam-se o leite Nido, o arroz e o óleo, enquanto poucos itens, como a fuba de milho, o açúcar e o frango congelado, registaram uma ligeira redução nos preços.
Nos mercados informais, onde se verificou uma relativa estabilidade nos preços desde o final da quadra festiva, a tendência tem sido de uma maior oferta de produtos provenientes do campo. No entanto, as famílias com parcos recursos continuam a enfrentar dificuldades na aquisição de bens essenciais, como o peixe, cujo preço duplicou após o encerramento do mercado da Mabunda para trabalhos de limpeza no âmbito do combate à cólera.
Outros factores ameaçam agravar ainda mais a inflação alimentar. A redução de 30% nas quotas de pesca para 2025 e a suspensão das licenças de importação de derivados de proteína animal até agosto poderão pressionar os preços até ao final do ano. Além disso, o recente aumento do preço do gasóleo pode desencadear uma nova onda especulativa nos mercados. Com este cenário, o poder de compra das famílias angolanas continua a deteriorar-se