A recente subida do preço do gasóleo em Angola está a gerar forte indignação entre os cidadãos, que descrevem a medida como “uma facada no estômago”. O aumento de 50%, que elevou o preço do litro de 200 para 300 kwanzas, apanhou muitos angolanos de surpresa e promete agravar ainda mais a já difícil situação económica das famílias.
A decisão governamental, inserida no processo de retirada gradual das subvenções aos combustíveis, segue as recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, a falta de comunicação e de preparação por parte das autoridades está a alimentar o descontentamento popular. Pedro da Silva, motociclista, expressou a sua revolta, recordando as promessas eleitorais do Presidente João Lourenço de baixar o preço dos combustíveis. “É um escândalo. Como é que nos dizem que o preço vai baixar e depois acordamos com este aumento brutal?”, questionou.
Para os trabalhadores que dependem do transporte, o impacto é imediato. Pedro Francisco Luemba, taxista há mais de 20 anos, lamenta o aumento drástico dos custos de operação, prevendo a necessidade de rever os preços das corridas. “Se o Estado tivesse avisado, talvez nos preparássemos melhor. Assim, fica complicado”, criticou.
A gestora de comunicação Heidi Jamba alertou para o efeito dominó desta medida na inflação e no poder de compra da população. “Os preços dos bens essenciais vão disparar, e o povo já não tem como suportar”, afirmou.
O aumento do preço do gasóleo reflete o desafio estrutural da economia angolana, dependente das receitas petrolíferas e vulnerável à pressão externa. Contudo, a falta de transparência e de diálogo com a população está a alimentar o sentimento de abandono e revolta. Para muitos cidadãos, este aumento simboliza mais um golpe numa realidade económica já insustentável.