A narrativa sobre África tem sido historicamente moldada por perspectivas externas, frequentemente reforçando estereótipos negativos sobre o continente. A ideia de um continente pobre, instável e carente de oportunidades continua a prevalecer nos meios de comunicação globais, com grande parte dos artigos sobre África a serem escritos por não-africanos. Esta representação parcial e redutora ignora os casos de sucesso e o potencial de crescimento que África possui.

Thebe Ikalafeng, especialista em branding, salienta que mais de 80% das marcas mais admiradas em África são estrangeiras. Esta realidade reflete um desafio de identidade e posicionamento de marca a nível continental. No entanto, exemplos como o grupo de telecomunicações sul-africano MTN, o conglomerado industrial nigeriano Dangote e a Ethiopian Airlines demonstram que marcas africanas podem competir a nível global e transformar a perceção dos seus países de origem.

A solução para este desafio passa pela implementação de uma agenda “Made in Africa”, promovida sob os auspícios da União Africana. Inspirando-se no modelo do “Buy American Act”, promulgado nos Estados Unidos em 1933, uma política de “Buy African” poderia obrigar os governos africanos a darem prioridade a produtos e serviços fabricados no continente. Esta medida fortaleceria as economias locais, fomentaria o empreendedorismo africano e ajudaria a criar marcas nacionais e continentais fortes e competitivas.

O acordo da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), ratificado em 2018, tem o potencial de aumentar o comércio intra-africano de 15% para 50% até 2030. No entanto, para que este ambicioso objetivo se concretize, é essencial que os países africanos apostem em marcas locais. A valorização do “Made in Africa” não só impulsionaria o crescimento económico, como também redefiniria a narrativa global sobre África, promovendo uma imagem de inovação, qualidade e autossuficiência. África tem o talento e os recursos para construir um futuro liderado por marcas africanas — chegou o momento de assumir esse protagonismo.