Passados 64 anos desde o início da luta armada pela independência de Angola, os antigos combatentes, que sacrificaram a juventude pela libertação do país, enfrentam hoje uma dura realidade de dificuldades financeiras e negligência governamental. Apesar dos discursos oficiais sobre reconhecimento e valorização, a verdade é que muitos veteranos da pátria vivem na miséria, sem acesso a pensões dignas e à assistência social prometida há anos.
Com uma pensão mensal de apenas 57 mil kwanzas (cerca de 59 euros), os ex-combatentes não conseguem garantir sequer a sobrevivência básica para si e suas famílias. O custo da cesta básica em Angola tem aumentado significativamente, tornando impossível que esse valor seja suficiente para suprir as necessidades mais elementares.
Além das dificuldades financeiras, há ainda a frustração em relação à não aprovação do estatuto dos antigos combatentes, um documento que deveria garantir direitos e benefícios específicos para esses cidadãos que tanto deram ao país. O presidente da Associação dos Combatentes das ex-Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (ASCOFA), Caetano Marcolino, apela ao governo para que cumpra com as promessas feitas há anos e evite mais adiamentos no processo de reintegração dos ex-combatentes.
O Executivo angolano reconhece que a situação social desses veteranos continua longe do ideal, mas justifica os atrasos com processos burocráticos como recadastramento e prova de vida. Enquanto isso, milhares desses veteranos vivem esquecidos, esperando que o país pelo qual lutaram finalmente lhes retribua com dignidade e respeito.