As exportações angolanas permanecem fortemente dependentes do sector petrolífero, com a venda de petróleo e gás a representarem 94% do total das exportações, enquanto os diamantes correspondem a apenas 4%. O restante das mercadorias resultantes da tentativa de diversificação económica compõe apenas 1,5% do total. É caso para questionarmos mais uma vez, onde está a tão propalada diversificação económica? Com base nas estatísticas do Banco Nacional de Angola, as exportações não ligadas ao petróleo, gás e minerais totalizaram apenas 418,7 milhões USD nos primeiros nove meses de 2023.
Embora tenha havido um aumento modesto nas receitas provenientes de mercadorias diversificadas, que subiram de 297,2 milhões USD em 2022 para 363,0 milhões USD em 2023, tal melhoria ainda é insuficiente. Esses 363,0 milhões representam apenas 1,4% do total das exportações no mesmo período, sinalizando que a diversificação económica em Angola, embora em andamento, está a ocorrer a um ritmo muito lento, sem atender às necessidades económicas prementes do país.
As consequências dessa dependência acentuada são também exacerbadas por uma alta taxa de desemprego e inflação, dado que Angola traduz um dos maiores volumes de importação em bens alimentares, um reflexo da incapacidade de suprir a procura interna com produção local.
Em suma, ainda existe um longo caminho a percorrer para que o sector não ligado ao petróleo atinja um nível que possa compensar a receita em declínio proveniente das exportações de petróleo e gás. O país ainda está vulnerável, dependente das flutuações do mercado petrolífero, o que representa um desafio significativo para o desenvolvimento sustentável e a estabilidade económica do país. É urgente implementar estratégias eficazes de diversificação económica que possam mitigar esses riscos e atender às necessidades da população.